A singularidade da paisagem da serra de Sintra, associada a uma arquitectura deslumbrante, atraiu, ao longo dos séculos, poetas, pensadores e artistas, maravilhados pelo sincretismo de um ambiente que irradia beleza e misticismo. As características geomorfológicas únicas foram enorme atractivo para uma ocupação humana iniciada na Pré-História, e que teve grande evolução durante os períodos romano e visigodo, com a villa romana de São Miguel ou a fonte de Armés a provarem a ocupação dos primeiros, enquanto os vestígios encontrados em Faião mostram a estada dos segundos.
Ocupada pelos Mouros em 713, só no ano de 1147 esta região regressaria ao controlo dos portugueses através de D. Afonso Henriques que funda, em 1154, o Município de Sintra, em foral confirmado em 1189.
A partir daí, Sintra foi palco de tantas histórias de amores e desamores, guerras e pestes, vitórias e derrotas, traições e desencantos, que os aventureiros do Lés-a-Lés precisariam de uma semana ou duas só para aflorar tamanha riqueza histórica. Registem-se apenas algumas notas, sob a forma de locais de visita imperdível, para perceber a dimensão homérica da tarefa de descobrir Sintra.
Tanta história por metro quadrado
Comecemos pelo bem central Palácio da Vila (Palácio Nacional de Sintra), dotado do maior conjunto de azulejos mudéjares do país, e cujas chaminés constituem ex-líbris da vila, e sigamos pelo Palácio Nacional da Pena, uma das sete maravilhas de Portugal, edificado por D. Fernando II, Convento dos Capuchos, Parque de Monserrate e Castelo dos Mouros até à a Quinta da Regaleira, apresentada como uma «mansão filosofal de inspiração alquímica». Local que poderia acolher as cerimónias de iniciação dos Cavaleiros Templários ou dos mestres da Maçonaria, com destaque para o monumental poço iniciático, com imensa escadaria em espiral que conduz a grutas labirínticas.
Ambiente cénico ímpar que continua na visita ao alto de Santa Eufémia, através das recortadas estradinhas da Serra da Lua, onde foram encontrados alguns dos mais antigos vestígios de presença humana na região. E que se prolonga até ao Cabo da Roca, tão conhecido pelo farol de 165 metros que desde 1772 ilumina o caminho dos aventureiros, como pelas famosas curvas que nos conduzem até lá.
Local eleito para residência de Verão da Família Real, Sintra foi palco de momentos significativos na História de Portugal começando pela doação do rei D. Fernando à rainha D. Leonor Teles, em 1374. Mais tarde, após obras mandadas realizar por D. João I, é no Palácio da Vila tomada a decisão de conquistar Ceuta e é também aí que nasce e morre D. Afonso V; que D. João II é aclamado Rei e que D. Manuel I recebe a notícia da chegada à Índia. E diz a lenda que foi neste mesmo palácio que Luís Vaz de Camões recitou Os Lusíadas a D. Sebastião.
E foi ainda em Sintra que teve lugar a Convenção Luso-Espanhola que, em 1509, decidiu as fronteiras das conquistas em África até ao cabo Bojador; e que morreu, em 1683, D. Afonso VI depois do cativeiro cumprido na vila. Também aqui teve lugar, em 1808, a assinatura da Convenção de Sintra que colocou ponto final na 1.ª Invasão Francesa.
Perdendo o estatuto de residência de Verão da Família Real portuguesa com o final da monarquia, em 1910, Sintra não perdeu, no entanto, o encanto único conferido por uma singularidade paisagística a que a mão humana soube acrescentar palácios de sonho, em elixir de deslumbrante efeito sensorial.
Sintra forte também no Motociclismo
Dois dos principais motoclubes nacionais também são oriundos deste concelho tão diversificado: o Moto Clube de Sintra é nada menos que o membro nº 1 da FMP! Dedicado essencialmente às motos antigas, quer de coleccionismo quer de competição, será um grande apoio na chegada e partida dos maratonistas do Lés-a-Lés Moviflor.
E o MC Motards do Ocidente, um dos clubes mentores do evento é também sintrense. Será reponsável por controlos em ambos os dias, com os seus elementos quase a fazerem uma directa.
E até a loja mãe do patrocinador Moviflor está situado em Sintra, mais precisamente em Rio de Mouro. São muitos pontos importantes que justificam a ida do Lés-a-Lés à romantica serra de Sintra, que assim fará etapa pela primeira vez junto ao mar.
Pena que não tenhamos tempo para a percorrer devidamente...