O Portugal de Lés-a-Lés Moviflor é idealizado todos os anos para satisfazer aqueles motociclistas que aceitam desafios e privilegiam a descoberta de novos caminhos e sítios. Este ano vamos passar pela simpática vila alentejana de Cuba, onde decorrerá o almoço da primeira etapa, e o "Lés-a-Lés" aproveitará para prestar homenagem à figura da história universal mais enigmática, que mais tinta tem feito correr e cujo nome é conhecido a nível mundial como Cristóvão Colombo; que não foi mais do que um alentejano nascido em Cuba chamado Salvador Fernandes Zarco, que se viu obrigado a fugir de Portugal depois de se envolver - com outros fidalgos - numa conspiração contra o rei D. João II, o grande estratega dos descobrimentos portugueses.
O Portugal de Lés-a-Lés Moviflor tem levado a conhecer melhor este nosso "cantinho" e a sua rica história. A Organização coloca muitas vezes precisamente os chamados Postos de Controlo em locais onde se fizeram capítulos do nosso passado; é assim que, por exemplo, se leva os participantes do Lés-a-Lés a passear por ameias de castelos, onde encontramos devidamente trajados os ditos controladores.
Cuba não tem castelo, mas tem Cristóvão Colombo, o alentejano Salvador Fernandes Zarco que descobriu a América, embora a pensar que tinha descoberto a Índia, que era o objectivo prometido aos reis de Espanha.
Por ser um alentejano de Cuba, fez aquilo que era uso fazerem os descobridores; darem o nome da sua terra natal a alguma terra que descobrissem. A 27 de Outubro de 1492 Cristóvão Colombo deu o nome da sua terra a uma ilha do "novo mundo" que acabava de descobrir, Cuba.
Cristóvão português e ao serviço de Portugal
A verdadeira história da descoberta da América e de Cristóvão Colombo tem sido mal contada. A teoria de que ele seria de origem genovesa é aquela que mais tem prevalecido ao longo do tempo. Existiu de facto um tecelão genovês chamado Cristoforo Colombo mas, as mais minuciosas investigações históricas desmancham facilmente a teoria italiana do Cristoforo Colombo, genovês, tecelão que chegou a viver em Portugal e veio a descobrir a América. Este Colombo nunca frequentou os corredores de qualquer corte (portuguesa ou espanhola) porque a sua condição social não lho permitia e muito menos teve acesso a conhecimentos de navegação que lhe permitisse atravessar o Atlântico. Mas há 150 anos a Itália, como nova nação, precisava de heróis e sobretudo a enorme e importante comunidade italiana radicada nos Estados Unidos dificilmente vai um dia aceitar que afinal a ‘sua América’ não foi descoberta pelo seu ‘Cristóvão Colombo’.
O nosso grande rei D. João II fez das descobertas um assunto de Estado à volta do qual fez prevalecer grande sigilo, até porque, em jogo estavam as ambicionadas riquezas da Índia que apenas chegavam à Europa vindas por terra; eram controladas pelo Império Otomano e apenas os venezianos e os genoveses tinham autorização de atravessar os territórios muçulmanos para as ir buscar e comercializar na Europa.
Cristóvão Colombo, o navegador, era fruto do grande desenvolvimento cultural e científico que então se centralizava em Portugal e em especial em Sagres, onde o Infante D. Henrique fundou a Escola de Sagres e onde viria a concentrar todo o saber e conhecimento existente na época, necessário à navegação em alto mar.
O nosso avanço científico era tal que uma das grandes dificuldades de Colombo foi precisamente conseguir convencer os reis de Espanha e os mais eruditos espanhóis de que a terra era redonda e que navegando para ocidente iria chegar à Índia. No século XV, em Espanha ainda se acreditava que a terra era plana…
Refugiado em Espanha e nunca assumindo a sua origem judaico/portuguesa, visto ser isso um entrave às suas pretensões de navegar ao serviço da coroa espanhola, Salvador Fernandes Zarco adopta o nome de Cristóvão Cólon, consegue aproximar-se da corte espanhola e expõe aos reis de Castela e Aragão (Isabel e Fernando, casados) a sua teoria capaz de trazer para Espanha as riquezas da Índia. Não se revelou tarefa fácil. Desesperado e frustrado, Colombo escreve a D. João II pedindo-lhe clemência pela traição em que estivera envolvido. D. João II vê nesta aproximação a oportunidade de colocar Colombo ao seu serviço; perdoa-lhe a traição e encoraja-o a insistir junto da coroa espanhola nos seus intentos de navegar até à Índia seguindo para ocidente; isto, quando D. João II já sabia aquilo que Bartolomeu Dias confirmou em 1488: que o caminho para a Índia era aquele que levava a navegar para sul e a contornar Africa pelo Cabo da Boa Esperança.
Movendo algumas influências junto da corte espanhola e patrocinando o próprio Colombo com um novo aparelho de navegação desenvolvido em Portugal e até financeiramente, pois o dinheiro dado pela coroa espanhola não chegava para o grande empreendimento, D. João II acaba por conseguir aquilo que mais convinha a Portugal que era colocar Cristóvão ao serviço dos espanhóis, rumo ao ocidente e convencido ele próprio que ia descobrir a Índia. Entretanto, com a politica do sigilo, D. João II guardava a sete chaves os segredos de muitas viagens de exploração marítima que já vínhamos fazendo há uns anos pela costa da América do Sul; sabia que era uma terra habitada por gente que dispensava a roupa e não produzia as ambicionadas riquezas da Índia; sabia também onde ficava o Brasil muito antes da descoberta oficial feita por Pedro Alvares Cabral em 1500, pois já lá tínhamos estado e também guardado segredo disso.
Assim, Cristóvão Colombo chega à terra que os espanhóis e ele próprio pensavam ser a Índia mas que em Portugal já se sabia que não era. A partir de então estavam lançados os pressupostos que levaram ao Tratado de Tordesilhas assinado em 1494, no qual foi traçado um meridiano 370 léguas a leste de Cabo Verde e que dividia o Mundo por descobrir em duas partes; Portugal ficava a partir de então com as terras por descobrir a leste dessa linha e os espanhóis com as terras a oeste. Eles assinaram convencidos que estavam a ficar com a Índia e nós ainda ficámos com o Brasil cuja costa sabíamos que ficava a leste desse meridiano. No ano de 1500, já no reinado de D. Manuel, o grande navegador Pedro Alvares Cabral, quando ia em mais uma viagem a caminho da Índia, limitou-se a fazer um desvio para oficializar a descoberta do Brasil.
Ou seja, os reis portugueses esperaram pacientemente que Cristóvão Colombo fizesse o seu trabalho ao serviço da coroa espanhola para depois oficializarem as descobertas que na prática já havíamos feito. Apesar de termos a certeza de qual era o caminho para a Índia desde que Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança em 1488, Portugal só enviou Vasco da Gama para a Índia passados 10 anos, depois de assinado o tratado que nos dava a sua posse.
Cristóvão Colombo, ou melhor, Salvador Fernandes Zarco, acabou por prestar um grande serviço à sua verdadeira pátria.
É muita coincidência...
Se há dúvidas quanto a esta teoria, é muita coincidência Cristóvão ter baptizado na América locais com os seguintes nomes alentejanos: S. Cristóvão, Sta Catarina, S. Bartolomeu, Mourão, S. Vicente, S. João, Porto Santo, Vera Cruz, Cuba, Sto André, Faro, Neves, Sta Cruz, Conceição, Guadiana, Santiago, S. Domingos, Sta Clara, Trindade, Guadalupe, S. Luís, Sta Luzia, Conceição, S. Miguel e Espírito Santo.
Mais, chegado da América, Colombo atraca nos Açores, na ilha de Sta Maria e reza missa na ermida da Sra dos Anjos.
No continente, primeiro entra no Tejo e encontra-se com o rei português. Só depois vai para Espanha.
E o 12º Portugal de Lés-a-Lés Moviflor vai durante os dias 3 a 5 de Junho levar a mensagem pelo país de que o grande navegador descobridor da América foi um português, alentejano de Cuba chamado Salvador Fernandes Zarco, aliás, Cristóvão Colon ou ainda Cristóvão Colombo.
A Comissão de Mototurismo fez ainda questão de passar o itinerários às quatro freguesias do concelho, ora entre verdes colinas de montados, ora através de planícies. São elas Cuba, Faro do Alentejo, Vila Alva e Vila Ruiva. Esta última detém a importante ponte romana com o mesmo nome. É contemporânea de Cristo e enrome. Tem 120 metros e 20 arcos.
Muito Obrigado à Câmara Municipal de Cuba pelo apoio.